Era uma vez

Foto: Juan Sebastián Vera
o sol nascente
me fecha os olhos
até eu virar japonês
(Leminski)
Contar com calma o que há.
O que há não é só calma.
Há uma faísca de vida que passa por aqui.

Uma partícula de luz e sombra,
um sopro agudo suspenso em oscilantes variações.

Tácito e tátil.
O grito é sem sufoco.

(dezembro de 2012)

devaneio não-casual

Hoje quero escrever uns versos.
Não sobre quem eu amei, ou o quanto eu sofri.
Mas sobre o agora, sobre o futuro.

A vida é avassaladora,
ainda que efêmera.

Eu quero a celebração de cada momento.

Quem escreve agora já não mais se esconderá entre as sombras.
Buscarei a luz, a beleza, a vida, a celebração.

(outubro de 2015)

em paralelo

não significa que somos iguais,
não significa que somos totalmente diferentes.
significa que as variadas formas apresentam distintas semelhanças
ainda que em campos e tempos diversos.
o que venho a ser, de fato, ou o que tenho tornado-me, não me determina. 
Há possibilidade de variação, de mudança, de superação, de crescimento, de desenvolvimento.

(setembro de 2012)

saída :

o louco da montanha solitária
o mistério
habita
habitat

hábito

- desabituar-se.

/os costumes em desuso

(setembro de 2012)

Sobre a obra de Burroughs

O método deve ser a mais pura carne
e nada de molho simbólico,
verdadeiras visões & verdadeiras prisões
assim como vistas vez por outra.

Prisões e visões mostradas
com raros relatos crus
correspondendo exatamente àqueles
de Alcatraz e Rose.

Um lanche nu nos é natural,
comemos sanduíches de realidade.
Porém alegorias não passam de alface.
Não escondam a loucura.

(Allen Ginsberg, Uivo)



Porque - Otto

Um pouco do que ando ouvindo!